É VIDA? Então vive sem limites, mas... COM VALORES!

É VIDA? Então vive sem limites, mas... COM VALORES!
Não há vida sem água, mas de nada serve a água se não houver vida.

"dar um pouco mais"

Vem - Aparece - Dá-te, e, juntos, faremos os caminhos da vida mais agradáveis

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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Içar de Velas

Içar de Velas
Velas ao vento desta caravela da vida.
Na Sagres, organizam-se em grupos: 
Gurupês, Traquete, Grande e Mezena. 
Elas são a vela de Estai, Bujarrona e Giba, ou até Velacho, Gávea e Joanete (não o do pé!)
Na caravela da vida, o mesmo acontece; os grupos, perfeitamente identificados, estão aí; os movimentos dão de si e os políticos mandam por mim e por ti.
Vão-se içando velas; de trabalho, entrega e dedicação; mas também velas de ira, egoísmo e traição.
Velas de amor e de compreensão, de perdão, de alegria, de serenidade e de sinceridade; mas também velas de guerra, desprezo e maldade.
Velas de solidariedade, de respeito e caridade. Velas paz e muita amizade.
Como é belo o içar das boas velas!
Espraiando-se pelo mar dentro, sobem todas ao mesmo tempo, em uníssono movimento silencioso, mas num ruído de harmonia que cristaliza a vista.
Até parece que são elevadas por qualquer mecanismo eletrónico computorizado.
Não!
É a força e o sincronismo dos bons marinheiros que pintam tão belo quadro.
Todos são precisos! 
E que nenhum se deixe adormecer pelo embalar das ondas.
Basta que um falhe, para que a pintura fique “borrada” e todos são afetados, desde o Almirante ao Grumete.
Todavia, em caso de erro, falha ou outro contratempo, mais importante que fazer diagnósticos desalentadores, cáusticos e corrosivos, importa, ver onde esteve o erro, desbloquear o problema, ultrapassá-lo com salpicos de tolerância, boas doses de exigência, sensatez, recato e discrição, temperadas com o sabor aromático, mas incisivo, do compromisso, de incentivo, de confiança e de cooperação.
O mesmo acontece na Caravela da Vida, onde, cada vez mais, é necessária uma cultura de princípios morais e éticos para uma sã convivência entre todos.
O mundo ser melhor, não depende dos outros; depende de mim, de ti; depende de todos.
Ou seja, estamos em rede e dependemos dessa rede de que fazemos parte.
Somos dependentes!
Continuar Mudar Mudando, se possível para melhor, mesmo que às vezes cansados; desalentados; desapontados.
Que possamos continuar a… Içar a Vela da “boa” Dependência!

oiapontoponto na passagem do seu sexto aniversário

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"Geradores"


Geradores em dias de "Trovoada"
Muitas vezes se ouvia dizer: Só te lembras de Santa Bárbara quando troveja.
É pura verdade.
Lembrámo-nos daquela santa no passado dia 30 de Julho, quando, ao princípio da noite, o poder da trovoada se fez sentir por terras de Oiã.
A luz, foi-se.
Algumas televisões, foram à vida.
Soubemos que, alguns frigoríficos e algumas máquinas de lavar roupa e loiça, entraram de férias forçadas.
Voltámos a experimentar o que era viver sem eletricidade. As tertúlias em família davam livros e livros inundados da mais sábia perspicácia e criatividade dos velhotes.
A candeia e as velinhas davam um “jeitaço”, o saudoso lampião e o velhinho petromax a “pitrol” voltaram a ser lembrados.
Hoje, nada disso! Há outras modernices.
Na falta de energia, vem logo à ideia, a importância que um gerador tem nestas ocasiões.
E, isto vem mesmo a propósito do tempo que nos foi dado para viver.
Tempo de permanente mudança, tempo de muita insegurança.
Tempo de poucos valores e tempo de muitos amores.
Tempo em que não há palavra.
A mentira, as promessas não cumpridas e as promessas para não cumprir, fazem parte do nosso quotidiano.
E tudo, lamentavelmente, como se fosse normal.
Dizemos: Não! Assim, Não! Assim não dá para continuar!
Demos connosco a perguntarmo-nos: E o que já fizeste para mudar este estado de coisas?
Pouco, muito pouco ou quase nada!?
Ao contrário do que é habitual, hoje estamos pessimistas, apreensivos e algo descrentes. 
Sentimos-nos inundados de vários terrorismos; do verbal, do comportamental, do da comunicação social, da maledicência, da coscuvilhice corrosiva, enfim, de um sem número de "bazucas" que nos atingem diariamente.
Vemos que, anda tudo de luz apagada nesta escuridão em que se tem transformado o que é viver nos tempos actuais.
A solidariedade, a amizade, a alegria e o voltar a saber viver com pouco, têm de regressar obrigatoriamente à vivência vivificada na sociedade atual, pelo menos, ao “nosso” mundo.
Está na hora de ligarmos os nossos geradores e alimentar o mundo à nossa volta com os valores, princípios e energia de que estamos necessitados e dos quais temos saudades.
Torna-se imperativo: Faz por isso e serás muito mais feliz!
Liga o "gerador", acende a tua luz e…

Muito Boas férias

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


“O Amigo Pingo”
Esta vida de sénior, como benevolamente lhe chamam hoje, mas de velho como nós mais gostamos, tem coisas maravilhosas que só se conseguem saborear com a vivência diária de um aposentado grato por tudo o que a vida proporcionou.
O conforto das mantas.
A companhia da Rádio Renascença.
O Terras de Oiã como companhia que não se dispensa.
O crepitar da lenha que, bem doseada, vai aquecendo a lareira cá de casa. Aprendemos que quem não pouca água e lenha não poupa coisa que tenha.
A cafeteira colocada ao lume sempre pronta para o milagroso chá de Cidreira.
A chouriça assada na brasa. Só algumas vezes porque dizem que faz mal ao colesterol.
A broa caseira que ainda se cose no forno.
A velha, sempre nova, sopa de feijão, como só nós sabemos fazer.
Os tronchos e a orelha de porco, servidos em cozido à portuguesa, com pouco sal. Dizem que faz mal à tensão e ao coração.
O arroz de malandro dos galináceos da nossa galinheira.
A leitura sossegada do Jornal da Bairrada, com especial atenção às fotografias de todos os que, da nossa idade, vão partindo sem deixar recado. Deus os lá tenha muito tempo sem nós, dizemos em tom de conforto.
O podermos dormitar até mais tarde, porque o frio lá fora aperta.
O mesmo frio que enrijece.
A “tossiqueira” que nunca mais nos deixa
Àh…
E que dizer do nosso inseparável amigo Pingo… do Nariz?!
Este Pingo que nos faz ter nariz de palhaço de tanto assoar! Só em lenços de papel, já vai uma fortuna!
É atchim para cá, é atchim para lá!
Neste dia do nosso aniversário, que a alegria sábia do velho palhaço, contagie todos aqueles que já nos felicitaram.
Vá lá… esboce um sorriso para si, e vai ver que depois rirá de si mesmo.

Um atchim  deste vosso amigo oiapontoponto


Deitámos com as galinhas e, como nesta idade o sono já é de pardal, acordámos nesta madrugada do dia 20 de Fevereiro, com a satisfação de que fazemos anos hoje.
As ideias aparecem. 
O dia de ontem vem à mente. 
Andámos na natureza podando a vinha.

Lembrámos que os anos vão passando e cada vez estamos:
Mais velhos
Mais castigados pela crise
Mais pessimistas
Mais pobres
Mais doentes
Mais apreensivos
Mais lentos
Mais ausentes
Mais surdos
Mais chatos
Mais irritados
Mais sós
Mais hipercríticos
Mais nervosos
Mais desajeitados
Mais gordos
Mais ansiosos, enfim…
… Mais teimosos e,
Mais VELHOS

Mas,
Os cabelos grisalhos
As rugas que nos lavram o rosto
O sorriso tranquilo da velhice
O olhar cândido de meninos já velhotes
O silêncio ensurdecedor dos sonhos que já lá vão
O andar lento de pés fustigados pela longa caminhada da vida
As mãos calejadas pelo trabalho
Os beijos dos netos que, quais piriquitos saltantes, se divertem chateando a velhice
As repreensões dos filhos que estão na força da vida, convencidos que são donos da razão,
A família unida

Também nos dão,
Mais confiança
Mais vontade
Mais satisfação
Mais ambição
Mais otimismo
Mais amadurecimento
Mais inteligência
Mais vontade de viver
Mais alegria
Enfim…
Mais Sabedoria e…
Mais AMOR

Sabemos que gostamos de coisas breves, que não levem muito tempo a ler. Sabemos que estes “mais” já começam a ser “mais” a mais.
Quem quiser ler, lê;
Quem não quiser, passe à frente… e
… obrigado por fazerem parte daqueles que gostam de nós.

oiapontoponto

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Longe vão os tempos...

 "Ou mudamos, ou corremos perigo. Alguns valores e princípios, ... já eram!"

Longe vão os tempos em que a sociedade quase se auto-regulava, com mecanismos próprios para a resolução de conflitos, de que eram bons exemplos o juiz de paz e o júri avindor.
Antigamente os pequenos conflitos nas comunidades, mormente nas aldeias, eram resolvidos no seu seio, pelos chamados e considerados «homens bons», ou justos. Havia sobretudo duas fórmulas para a arbitragem dos conflitos, cuja decisão era geralmente acatada.
Uma era através da figura do juiz de paz, que existia em todas as freguesias. 
O juiz era um homem bom da freguesia, a quem cabia decidir os conflitos ali verificados. Competia-lhe procurar conciliar as pessoas antes que litigassem em juízo. As funções de juiz de paz podiam ser acumuladas com as de regedor, tendo então também atribuições policiais, tais como tomar conhecimento dos crimes ou infracções cometidas, prender os delinquentes em flagrante, proceder ao corpo de delito ou quaisquer diligência no âmbito do processo criminal.

"Mandámos para o lixo os bons valores e os bons costumes"

 Tudo isso acabou com a modernidade e o garantismo. Hoje a resolução de um litígio demora uma eternidade, fruto da (des)organização da Justiça, do fundamentalismo burocrático e do entupimento dos serviços judiciais. Tudo tem que ir a juízo, seguindo o manancial de regras e de prazos estabelecidos. Já não há «homens bons» na nossa sociedade, porque só ao juiz formado na universidade e com os códigos enfiados na "cachimónia", é possível decidir e fazer Justiça.
 "De mãos dadas e com respeito encontravam-se soluções comuns para divergências pontuais"

Outra forma de resolver os conflitos nas comunidades era através do chamado júri avindor, que intervinha em alguns assuntos concretos, para os quais era especialmente constituído. O júri avindor era formado por três homens bons da freguesia, um deles presidente e os outros vogais, e tinha por competência promover a conciliação dos desavindos, pronunciar-se sobre as reclamações, julgar transgressões, aplicando as respectivas multas e fixando o valor das indemnizações.
Este júri podia ser constituído por motivo de uso das águas ou de exploração das terras.
As funções inerentes aos cargos de juiz de paz ou de membro do júri avindor eram gratuitas, tendo no entanto direito a ser reembolsados, quer das despesas efectuadas por motivo das investigações e diligências efectuadas, quer das remunerações eventualmente perdidas no exercício das funções.
Não se conformando as partes com as decisões do juiz de paz ou do júri avindor, cabia recurso para o juiz de direito da comarca, cumpridos certos pressupostos.
"Ventura Reis"

"Dois sentidos: Um para cá outro para lá. 
Hoje privilegiamos quase sempre o que dá para cá, para nós, para o nosso umbigo e ignoramos o que nos obriga a ir para lá (da nossa quinta)"
oiapontoponto